• Ó CEUS! Ó VIDA! Ó AZAR!

    Quando pensei em escrever sobre pessimismo, a primeira coisa que veio na minha cabeça foi o desenho animado Lippy e Hardy, um dos clássicos da Hanna-Barbera (1971) que eu adorava assistir. No desenho, Lippy (o leão) bolava planos fantásticos e mirabolantes para ele e Hardy (a hiena) se darem bem, mas Hardy, pessimista até a alma, não acreditava que aquilo podia dar certo e sempre dizia o bordão “ó céus! ó vida! Ó azar! Isso não vai dar certo! E não dava mesmo, e ainda acabava sobrando para pobre da hiena que nunca tinhas forças para se contrapor ao leão, afinal de contas ele é o rei dos animais e então, só lhe restava se lastimar da vida.

    Desenhos a parte, tem muitas pessoas que parece terem sido contaminadas pelo vírus do pessimismo e, como a hiena Hardy, estão sempre reclamando de tudo e de todos, o tempo inteiro. Nada presta, nada vai dar certo, nada funciona! Nem elas mesmas se poupam da reclamação e da culpa, pois se sentem incompetentes por não conseguirem dar conta de todas as demandas da vida; gastam tempo e energia se lastimando e seu pessimismo as impedem  de serem produtivas o suficiente para que não vivam com a sensação de que estão sempre deixando de fazer algo e, por conseguinte, perdendo alguma coisa.

    TEMPOS DIFÍCEIS

    O pessimismo é uma enfermidade que acomete muitas pessoas, afinal de contas vivemos em uma sociedade consumista que dá mais importância ao ter do que ao ser. A eterna cobrança social de que as pessoas precisam ter sucesso, ganhar muito bem, ter poder, ter alguém na sua vida e ainda por cima serem magros, bonitos e parecerem jovens só faz aumentar a legião dos descontentes e lamuriosos no mundo, mas o pior é que uma parte considerável dessas pessoas só reclamam, resmungam, criticam e responsabilizam os outros por suas limitações e insucessos e não fazem nada para mudar.

    Mas, a insatisfação tem um lado muito bom, ela é um ótimo combustível para um processo de mudança. Qualquer um de nós pode transformar em energia o seu descontentamento e a partir daí buscar coisas melhores, que nos deem mais qualidade de vida e produzam felicidade; de outra forma, ela pode gerar acomodação e engessamento, mantendo as pessoas sempre nos mesmos espaços, principalmente quando se trata de alguém com baixa autoestima e que por conta disso acredita que não tem condições de conseguir avançar muito mais na vida, já chegou onde podia.

    MUDAR É PRECISO

    Há muita diferença em querer ser mais e viver melhor e querer ter sempre mais e acreditar que a felicidade é privilégio de quem vive no luxo e na riqueza. A insatisfação pessimista faz com que as pessoas vivam mal-humoradas, tendo sempre o outro como referência e objeto de comparação.  Assim, vivem na idealização de uma felicidade inatingível que as afasta cada vez mais de seu eixo de centramento, controle e segurança, tão necessários para que se possa avançar e caminhar na direção da realização de sonhos.

    Bom mesmo é a gente seguir os ensinamentos contidos na prece da serenidade (que eu particularmente acho muito maravilhosa), que diz: “Concedei-nos, senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, coragem para modificar aquelas que podemos, e sabedoria para distinguir umas das outras”. No mais, é só seguir caminhando pelas ruas, avenidas e estradas da vida, sempre atentos ao que nos inquieta, nos agonia e nos inunda de motivos para transformar sonhos em realidades.

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