• NÃO É NÃO!

    Sabe aquela criança que você vê nos aniversários, no shopping, na escola do seu filho e quem sabe até na sua própria família e que está o tempo todo correndo, aprontando, que não obedece a ordens e mesmo que a mãe ou o adulto que estiver com ela peça, insistentemente, para ela parar, não obtém sucesso. Quanto mais reclamam e pedem para ela se comportar, ou ela finge que não é com ela ou ainda faz pirraça; e não adianta dizer que não vai mais sair com ela, que as outras pessoas estão olhando, que ela vai ficar de castigo… ela nem liga. Ah, e quem olha ainda diz: que criança mal educada!

    Mas, nem sempre isso é resultado de má educação. Fazer birra, desobedecer e até fazer de conta que não estão falando com ela costuma ser uma conduta comum em crianças, especialmente dos 3 aos 5 anos. Viver períodos de desobediência nessa fase é aceitável porém, passa a ser patológico quando ela demonstra uma incapacidade de seguir regras e obedecer ordens. É preciso distinguir um comportamento normal da fase do desenvolvimento infantil, em que a criança busca sua independência e reage instintivamente com raiva a um desejo seu que não foi cumprido de uma conduta patológica.

       Quando a criança contraria os adultos com frequência, de forma exagerada e com duração acima do esperado para a sua idade, e, mais ainda, quando o descontrole emocional dela levá-la a apresentar episódios de violência verbal e física, isto pode ser um indicador de um Transtorno Opositivo Desafiador-TOD – um transtorno infantil caracterizado por comportamento desafiador e desobediente a figuras de autoridade, que se apresenta como um padrão persistente em múltiplos ambientes (na escola, na família e em qualquer espaço coletivo) e esteja presente há pelo menos seis meses na vida da criança.

    Fique atento, pois os sinais de que há algo errado aparecem no dia a dia: os pais não conseguem mais controlar o comportamento da criança; ela passa a ser evitada pelas pessoas; as queixas começam a proliferar vindas da escola, das empregadas e da família e os pais evitam frequentar lugares públicos, casa dos familiares e amigos, pois não sabem o que fazer e se sentem envergonhados, julgados e fracassados como pais.

     O TOD não afeta só a criança, mas todos ao seu redor. Os pais sentem-se intimidados diante do comportamento da criança e terminam contemporizando, mas saiba que adiar conflitos só reforça o comportamento destrutivo da criança, que tende a se mostrar cada vez mais raivosa, ressentida e vingativa sempre que contestada. Em qualquer circunstância, imponha limites na conduta de seus filhos; dê ordens de forma clara e objetiva – não é não; assuma a postura de quem tem autoridade e manda; não permita que seu filho culpe os outros pelos seus erros; seja firme, mas não se esqueça de elogiar quando ele obedecer e se comportar de forma adequada.

    As causas de TOD são desconhecidas, mas provavelmente envolve a combinação de fatores genéticos e ambientais. O TOD não é birra ou falta de educação. Se você se reconhecer neste artigo, procure ajuda especializada imediatamente, para que seu filho aprenda a lidar com as suas emoções e para que você seja orientado(a) e apoiado(a) em suas dificuldades

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