• NÃO DESFILE SEU PRECONCEITO NO CARNAVAL.

     

    E chegou o carnaval, a mais representativa e importante festa popular do Brasil. Nessa época do ano, o humor, a alegria, a liberdade, a leveza, o amor e a fantasia pedem passagem e como a intenção é se divertir, a maioria das pessoas que saem de casa para brincar nas ruas respeita e valoriza o acordo de coexistência pacífica entre os brincantes. No carnaval, as desigualdades sociais desaparecem e a liberdade de transgredir ou realizar sonhos é validada por todos e, sendo assim, homem pode se vestir de mulher, operário pode virar rei que tudo isso faz parte do enredo carnavalesco.

    O carnaval é o momento para extravasar, brincar, ironizar, fazer crítica política e denunciar o que está incomodando e oprimindo a cada um de nós. Pela televisão, revistas e jornais a gente já percebe o quanto a “operação lava jato” tem sido lembrada nos enredos dos blocos e na tradução dos personagens que desfilam pelas ruas, afinal de contas, o bom humor é um traço característico do nosso povo. Mas, é preciso que a gente fique muito atento às manifestações de preconceito, de falta de respeito às diferenças de algumas pessoas, que se sentem fortalecidas por estarem em grupo e aproveitam até o carnaval para destilarem sua crueldade.

    Não desfile seu preconceito neste carnaval! A alegria e a leveza de  brincar todo mundo junto e misturado nem sempre acontece dessa forma. Ninguém é obrigado a sair às ruas e brincar, mas quem resolveu sair merece ser respeitado, desde que também não esteja provocando ninguém. Por isso, em nome da alegria, do amor e da liberdade, vários blocos têm levantado à bandeira da inclusão afetuosa e abordado seja no tema do enredo, no nome do bloco ou nas fantasias o incentivo ao respeito às diferenças e o combate ao assédio sexual, o racismo e a violência contra mulheres, homossexuais e demais minorias.

    E as propostas dos brincantes se espalham pelo Brasil. Em Barcarena (PA), o “Bloco dos Amigos” escolheu um tema de respeito à inclusão social –” De índio, negro e louco todo mundo tem um pouco”; o objetivo deles é conscientizar os brincantes sobre a importância de combater o preconceito e respeitar às diferenças (não conheço ninguém desse bloco, mas vocês me representam).  Olha aí gente, o “Bloco dos Amigos” contribuindo para a construção de um mundo melhor!

    E outros blocos entraram na proposta de fazer um carnaval sem preconceitos, pois esta onda de amor se espalha Brasil afora: tem o “Toda forma de Amor” (inspirado na música do Lulu Santos) cujo mote é o respeito às diferenças; o” Sou gorda mais eu pulo” que defende o direito de toda mulher se sentir bonita, independente de peso,  se vestir como quiser e ser feliz; o “Me segura que se não eu caio”, formado por pessoas com necessidades especiais e cuja mensagem é garantir o direito de inclusão, tanto no carnaval como fora dele, além de muitos outros por aí.

    Então, independente da sua proposta para este carnaval, se vai sair para as ruas ou ficar no “baile dos lençóis”, o mais importante é que você esteja com a alma leve e o coração cantando. E como toda hora é hora para a construção de um mundo de amor e paz, que o carnaval também seja um momento de combate à homofobia, ao racismo, a misoginia e de defesa da inclusão, da diversidade e do respeito às diferenças.

    Além disso, beba com moderação, use camisinha, brinque de forma saudável e se engaje na campanha do HEMOPA “No carnaval use fantasia salva Vidas. Doe sangue”. Feliz carnaval a todos!

     

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