• MEU FILHO NÃO ACEITA OUVIR UM NÃO!

     

    Com frequência, ouço queixas em meu consultório e percebo o desespero de alguns pais, que não estão conseguindo lidar com a “rebeldia” dos filhos. Eles não conseguem ouvir um não! Recusam-se a obedecer às regras, têm ataques de raiva, estão o tempo todo arrumando briga e confusão, nunca têm culpa de nada (sempre são os outros que perturbam, eles só reagem) e isso tudo também acontece na escola, pois toda semana eles são chamados porque os filhos bateram nos coleguinhas, jogaram tudo no chão, se recusaram a participar das atividades em sala… E ainda falam para a professora “você não manda em mim”!

    Antes de tudo, é preciso avaliar a forma com que essas crianças estão sendo criadas: se são superprotegidas e convivem com uma permissividade excessiva ou se são protegidas e acarinhadas, mas têm que respeitar limites e regras adequados a idades delas? Que a infância e a adolescência são períodos de grandes transformações, que elas (crianças) ainda estão em desenvolvimento e que a contestação faz parte do amadurecimento normal delas, nós todos sabemos; mas, quando esse comportamento desafiador se torna constante e passa a comprometer a vida da criança ou do adolescente, isso deixa de ser aceitável.

    Fique atento: se seu filho se mostra agitado,  se recusa a obedecer a ordens, a seguir regras e desobedece constantemente adultos (como pais, professores e outras figuras de autoridade), isso pode não ser birra e nem tolice, e sim sintoma de Transtorno opositivo desafiador (TOD), um distúrbio frequentemente observado em crianças e adolescentes e que se caracteriza pela desobediência, enfrentamento, hostilidade, explosões de raiva, agressões e desejos de vingança – normalmente, esses sintomas aparecem entre os 6 e os 8 anos, se manifesta de forma constante (mais de 6 meses) e interfere no relacionamento e no desempenho familiar, escolar e social.

    Imagine qual costuma ser a reação das pessoas ao lidar com crianças e jovens que estão sempre testando limites e autoridade, brigando, agredindo e aprontando? Eles dificilmente conseguem despertar empatia em alguém! Os colegas se afastam, os professores humanamente ficam sem muita paciência, os outros pais fazem queixa na escola e orientam seus filhos a ficarem longe deles e eles sofrem com a rejeição e o isolamento em que vivem, embora possam até não demonstrar e nem reconhecer isso.

    Se você perceber que seu filho não é convidado para festinhas, que os colegas não o procuram no recreio, que as queixas vindas da escola são constantes e que a sua própria família (tios e avós) evita ficar só com ele ou, se você mesma, reluta em ir com ele a determinados lugares, pois sabe que ele vai aprontar, procure imediatamente ajuda psicológica, para que vocês sejam orientados a saber como lidar com ele e que o mesmo aprenda a gerenciar a raiva e o estresse, a ter tolerância à frustração, a respeitar e obedecer aos outros e a ouvir não.

    Quando não tratado, o TOD persiste na vida adulta e traz prejuízos imensos à vida da pessoa.

     

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