•  FILHOS EM PRIMEIRO LUGAR.

     

    Administrar uma separação não é uma tarefa fácil para ninguém, especialmente quando existem filhos, pois além de conviver com o sentimento de fracasso pelo fim do relacionamento, os ex-cônjuges ainda vão precisar estabelecer a forma como compartilharão a guarda dos filhos; e este vem sendo um desafio muito grande enfrentado pelos pais, após a separação, principalmente, quando eles não conseguem se desvincular do papel de casal e misturam os motivos que os levaram a separação com a definição de uma nova realidade que envolve também os filhos, num momento em que, muito provavelmente, estão vivendo dor e sofrimento.

    E nesta redefinição de vida, torna-se necessário que eles consigam funcionar como pai e mãe, que priorizem os filhos e tentem garantir o bem estar deles. É preciso reconhecer que os filhos têm o direito de continuar convivendo com ambos os genitores, para que possam crescer tendo um referencial próximo da figura masculina e feminina e que sejam orientados, acarinhados, educados e cuidados por ambos os pais, pois isso é de fundamental importância para eles crescerem de forma saudável. Por nenhum motivo e circunstância os filhos devem virar projeções de mágoas pessoais e conflitos não resolvidos pelo casal, embora, infelizmente, isso aconteça muitas vezes.

    Então, baseados nos estudos dos profissionais da área de saúde e educação, os quais são unânimes em afirmar a importância da presença do pai e da mãe ao desenvolvimento saudável dos filhos é que, em dezembro de 2014, foi sancionada a Lei que regulamenta a guarda compartilhada, com o objetivo de garantir o direito dos filhos e proteger as crianças e adolescentes. E tudo funciona no mínimo bem, desde que a relação do casal esteja bem resolvida, desde que haja uma boa comunicação entre eles e que, principalmente, ambos assumam a maternidade\paternidade de forma responsável.

    Tudo certo com a Lei, porém, dependendo da idade das crianças e do compromisso e responsabilidade dos pais, esta pode ser uma vivência desastrosa. Infelizmente, em minha experiência clínica, com certa frequência, tenho acompanhado o sofrimento de muitas crianças que não querem conviver na casa de um dos genitores (normalmente o pai) e o desespero de mães por perceberem que os filhos não estão sendo adequadamente cuidados ou que estão em situação de risco, o que é muito mais grave.

    E vejam bem, eu não estou me referindo aos casos gravíssimos de Alienação Parental, em que a criança ou adolescente é induzida a repudiar um dos genitores. Não é porque a criança não rejeita o pai ou a mãe que isto signifique que esteja tudo bem! Só para dar alguns exemplos: há pais que dirigem embriagados e drogados com as crianças no carro; que as levam ao clube ou à praia e as deixam transitar livremente pelo local, correndo riscos de afogamento; que as levam para locais inadequados, como bares; que dormem e as deixam acordadas, brincando em apartamentos que não são telados… Fazer o que? Se queixar para quem?

    Isto sem falar no total descumprimento dos horários acordados quando da devolução dos filhos menores; na falta de compromisso com os horários de alimentação, de administração de medicações e no acompanhamento das atividades escolares; do total descaso com os cuidados de higiene e segurança. Apesar de saber que existem procedimentos legais que podem ser tomados, convenhamos, este caminho costuma ser lento e difícil. O sentimento é de impotência diante da desproteção dos filhos. Só Deus na causa!

     

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