•     EU QUERO O PAPAI!

     

    Hoje, segundo domingo de agosto (acabei de lembrar que o jornal circula desde sábado) comemora-se no Brasil o Dia dos Pais. E os homens, merecidamente, vêm conquistando cada vez mais um espaço de afeto na vida dos filhos, acrescentando ao seu papel de provedor o de cuidador, tornando-se também uma referência de afeto, carinho e aconchego e olha que não foi tão fácil assim essa caminhada, afinal de contas, eles traziam todo um peso histórico de uma educação machista (cuidar dos filhos é papel da mulher) e também nós, com medo de perdermos o papel de rainha do lar, reforçávamos a falta de jeito e as dificuldades deles em lidar com as crias.

    Acontece que, quando nós entramos para o mercado de trabalho e com isso também passamos a contribuir para o sustento de nossas famílias, percebemos que essa história de rainha devia ficar nos contos de fadas, pois  vivíamos muito cansadas com a dupla jornada de trabalho e assim, abdicamos do reinado e da coroa, mas não foi nada fácil para nós e nem para os homens. Ao redefinir nosso papel e espaço no mundo podemos perceber que os homens também se movimentavam e percorriam novos territórios e, dessa forma, depois de muito tempo e muita luta, muitos erros e muitos acertos, os papéis de marido e mulher, de pais e mães vêm sendo redefinidos.

    As estruturas e funcionamento das famílias vêm se modificando ao longo dos tempos, mas é preciso que fique muito claro que a importância dos pais na vida dos filhos não mudou, o que modificou foi o envolvimento deles na educação dos filhos e a sua presença faz toda a diferença. A ausência do pai é interpretada como rejeição e deixa marcas profundas em função da importância da figura masculina na formação da personalidade, na definição de papéis sexuais, na escolha do parceiro e nas vivências do mundo adulto, inclusive como modelo de imitação e identificação no exercício da maternidade e da paternidade.

    Até o primeiro ano de vida, por questões objetivas como a amamentação e a licença maternidade, as mães são muito mais presentes que os pais na vida dos filhos (na verdade, quase sempre o são), mas a partir daí o pai passa a ter mais importância ao se tornar mais presente. As mães costumam reclamar da omissão dos pais na criação dos filhos, mas é justo reconhecer que elas têm uma tendência cultural de serem mais centralizadoras e de tomarem sempre a iniciativa com relação aos filhos e isso também atrapalha bastante o envolvimento deles com os pais e o desenvolvimento dos talentos para o exercício da paternidade.

    Apesar das dificuldades, não há como negar, os pais estão cada vez mais presentes na vida dos filhos e isso é maravilhoso, inclusive o número de homens que ficam com a guarda dos filhos tem crescido bastante e isso é uma prova inconteste da importância dessa presença. Além disso, a guarda compartilhada (que não funciona em todos os casos de separação) e os acordos de regulamentação de visita têm garantido esse partilhar de presenças, afetos, ensinamentos, orientações e estabelecimento de posturas e limites.

    Então, mas hoje é Dia dos Pais e muitos de nós já não podemos mais comemorar essa data com eles. Se você ainda tem esse privilégio, aproveite e celebre amorosamente a presença dele na sua vida, e isso significa muito mais do que um almoço formal e a entrega de um presente. Quanto a mim, vivo de saudades e lembranças. Seu Sequeira, onde o senhor estiver, me abençoe e saiba que a sua presença fez muita diferença na minha vidas.

    Post Tagged with

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *