• E SE FOSSE SEU FILHO?

     

    Em 2015, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) criou uma ação mundial com o intuito de mostrar a realidade de crianças que continuavam sendo vítimas da violação de seus direitos básicos, como o difícil acesso à educação, a exploração do trabalho infantil, a violência sexual, maus tratos… A campanha cresceu, evoluiu e no Brasil tomou um novo rumo, desta feita, um grupo de mães de crianças especiais, no Rio de Janeiro, se uniu para denunciar o preconceito, a violência e as grosserias que seus filhos sofrem no seu dia a dia.

    Diversas atrizes como a Betty Gofman, Isabela Garcia e Maria Aparecida Zinoni abraçaram a campanha e assumiram as vozes dessas mães, gravando relatos de situações difíceis vivenciadas por famílias com crianças especiais (crianças que requerem cuidados adequados às suas diferenças; que precisam de uma atenção especial, de um acompanhamento diferenciado e, principalmente, de muito carinho) por serem portadoras do Transtorno do Espectro Autista, Síndrome de Down…). É muita crueldade você tratar mal ou ignorar uma criança que não consegue se defender e que se aproxima naturalmente das pessoas em busca de carinho e de atenção.

    A campanha viralizou na internet! No vídeo gravado pela atriz Beth Gofman, ela relata a história de uma mãe que foi surpreendida pela polícia batendo a sua porta, devido à denúncia de uma vizinha que não aguentava os gritos de uma criança. Quando a mãe atendeu a porta e o policial se deu conta da situação, ficou extremamente sem jeito diante da explicação da mãe – ele é autista, e deve estar muito incomodado com alguma dor ou com o calor, e como não consegue se expressar, ele grita. O policial chocado com a situação pergunta a essa mãe: “sua vizinha sabe que se trata de uma criança autista?”, e a mãe responde “sim, ela sabe!”

    Existem diversas denúncias nas redes sociais sobre o preconceito pelo qual essas crianças são vítimas. Em pleno século XXI, ainda tem pais que reclamam nas escolas quando tem uma criança especial na turma do seu filho, pois não querem que o filho conviva com crianças “retardadas” (me perdoem, mas este é o termo que eles usam); ah, e algumas dessas pessoas se dizem cristãs, e não aprenderam a exercitar o amor ao próximo. E se fossem filhos delas, como será que reagiriam?

    Tomo emprestados os versos do avô-poeta Edgar Macêdo para demonstrar o afeto que todas as crianças merecem receber, principalmente as especiais “Paulo Eduardo é um passarinho que ainda não aprendeu a voar, que nem quer sair desse seu ninho, simplesmente ele quer ficar. O seu mundo é feito de sorrisos, são nuances de não sei o que, pois não pronuncia uma palavra, nem mamãe ele sabe dizer… Meu presente é estar presente, na ausência da sua lucidez, mas o que o faz assim tão diferente? É um grito de amor talvez…”.

    Em nome de todas as crianças e pessoas que não possuem recursos internos para reagir aos preconceitos e crueldades que ocorrem na vida, precisamos nos posicionar. É isso!

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