• Dói, mas passa!

    Grande parte dos atendimentos nos consultórios psicológicos e psiquiátricos estão vinculados às dificuldades de aceitação do término de relacionamentos amorosos. Ouvir do parceiro amoroso o fatídico “acabou”, “não quero mais”, dói muito! Não costuma ser fácil para ninguém, nem para quem fala e nem para quem ouve (muito mais para quem ouve) lidar com o fim de um relacionamento e suas dores (rejeição, fracasso, perda, desimportância, solidão e abandono), tudo isso fere, às vezes dilacera, o amor próprio e destrói desejos e sonhos.
    De um modo geral, tanto os homens quanto as mulheres sofrem os abalos de uma separação, mas pesquisas indicam que as mulheres sofrem mais, e tem muito de cultural nesse sofrimento – as mulheres ainda são educadas e cobradas socialmente para valorizar o relacionamento amoroso e constituir uma família, enquanto que os homens são ensinados a valorizar mais os aspectos profissionais. E olha que já houve melhoras consideráveis quanto a isso, mas existe uma permissividade muito maior para o sofrimento feminino do que para o masculino.
    Viver o luto diante da perda de um relacionamento significativo é absolutamente natural, se a criatura não sentir nada é porque não havia nenhum tipo de afeto envolvido e nem empatia pelo sofrimento do parceiro. De um modo geral, a dor da perda costuma ser proporcional à intensidade do vínculo e da dependência afetiva – quanto mais forte a vinculação e a dependência, mais tempo será gasto na elaboração do luto, na reorganização da vida e na liberação afetiva para que o coração se acalme. Além disso, o tempo e a forma do refazimento emocional vão depender também da capacidade da pessoa de se organizar internamente.
    Outros fatores também são muito importantes na superação do luto e no resgate da autoestima como o fato de você ter sido amada e valorizada na infância por seus pais (pelo menos por um deles) ou por adultos significativos, isso a ajudará a crescer acreditando em si mesma, nas suas possibilidades de realização e superação. A ausência desse olhar afetuoso na infância, provavelmente, a levará a buscar esse amor no parceiro e, consequentemente, vai depositar nele todas as suas necessidades de reconhecimento e afeto; então, quando ocorre o rompimento da relação, além do luto esperado pelo fim do relacionamento, você vai ter que lidar com suas carências e instabilidades emocionais.
    Em qualquer circunstância, viver o fim de um relacionamento que tenha sido importante é sempre muito doloroso. E, como protagonizar histórias de desamor e sofrimento não é o desejo de ninguém, o melhor a fazer é cuidar bem do seu amor, pois quem ama valoriza, acolhe, protege, prioriza, eterniza momentos e respeita ao outro e a si mesma. Amar-se é condição necessária para ser amada e para saber seguir em frente, tendo a certeza de que fez o que deu conta de fazer e, que se isso não foi suficiente para conseguir permanecer vivendo aquela história de amor, a vida mostra novos caminhos e nos dá a chance de criar novas possibilidades de se viver o amor.

    Post Tagged with

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *