• DEPRIMIDA, EU?

     

    Apesar de a depressão ser a doença psiquiátrica mais diagnosticada nos dias atuais e de ter uma alta incidência no mundo inteiro – quase 7% da população mundial e 10% das pessoas no Brasil sofrem com a doença -, mesmo assim, a maioria das pessoas não se dá conta de que está doente e que está com depressão. Como ainda é muito difícil para elas entenderem e lidarem com sintomas e quadros emocionais (todo mundo está acostumado a lidar com as dores do corpo) é comum as pessoas deprimidas acharem que estão sendo fracas e culpam-se por não conseguirem reagir ao que acreditam ser muito desânimo e tristeza.

    Na verdade, a culpa costuma vir em decorrência das cobranças dos familiares e pessoas próximas que consideram que elas estão reagindo de uma forma desproporcional em intensidade e duração aos fatos que aconteceram na vida delas (o que é verdade); o que os outros não conseguem avaliar é que trata-se de uma doença que produz alterações no funcionamento do cérebro e envolve sintomas biológicos e psíquicos, e isso as impede de ter forças para reagir a tanta dor, desesperança e sofrimento. Quem nunca passou por um quadro depressivo não consegue avaliar o tamanho da dor do outro e nem entender como alguém pode começar e terminar os seus dias vivendo escuridão e alimentando pesadelos.

    COBRANÇA DOS OUTROS

    A pessoa deprimida (as mulheres são mais afetadas que os homens) sente-se incompreendida pelos outros que cobram, dão conselhos e acham que tudo o que ela tem que fazer é respirar fundo, sair da cama, reunir forças e reagir. Mas não é fácil reagir a uma doença que afeta o bem estar e a felicidade da pessoa; reduz a capacidade de trabalho e produtividade; compromete o corpo, o humor e o pensamento; rouba o interesse por tudo que antes era fonte de prazer; provoca alterações no apetite e no sono; diminui a libido; provoca muito desânimo, cansaço e irritação; desperta sentimentos depreciativos; compromete a capacidade de fazer escolhas e inunda a vida com uma tristeza profunda e inexplicável.

    O sofrimento da pessoa deprimida é tanto que se torna muito difícil para quem nunca teve um episódio depressivo compreender completamente seus efeitos. Nos casos mais graves, o desespero e a desesperança podem chegar a níveis impossíveis de suportar e sendo assim, cansados de tanto sofrer, a pessoa se suicida. As estatísticas são alarmantes nesse aspecto: a cada 4 minutos um indivíduo deprimido tira a própria vida em todo o planeta e cerca de 90% das pessoas que se suicidam apresentam algum tipo de transtorno mental, e a depressão é o mais recorrente deles.

    VAZIO ANGUSTIANTE DO NADA

     Então, se você não quer tornar ainda pior a situação de quem já está sobrevivendo sem a mínima esperança de melhora, nunca diga a essa pessoa coisas do tipo “isto não é nada”, “reaja que tudo vai passar”, “seja forte” (como se a depressão fosse uma fraqueza). Sentir-se incompreendido pelos outros só aumenta a sensação de que aqueles que sofrem nunca vão sair desse estado; e torna-os mais frágeis e solitários em sua dor. Caminhar em direção ao nada e sozinho é muito desesperador!

    Embora a gravidade dos sintomas varie de pessoa para pessoa, saiba que mesmo quando esse transtorno ocorre de uma forma menos grave, consegue provocar muito estrago na vida das pessoas justamente por produzir alterações no funcionamento do cérebro. Não se brinca com a depressão! Ao sentir que sua vida perdeu a razão e o sentido, busque ajuda especializada para poder se tratar, pois muitos casos da doença podem ser curados.

    Familiares e amigos podem ajudar bastante no tratamento sendo compreensíveis, mas firmes. Incentivar para que a pessoa se alimente adequadamente, cuide da sua higiene pessoal, saia da cama e tente se movimentar, deve ocorrer junto com a fala de que você sabe o quanto isso é difícil para ela nesse momento, mas que você está ali para ajudá-la a superar esse vazio angustiante do nada e que parece nunca ter fim, mas tem!

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