• “CALMA AÍ, CORAÇÃO”.

     

    O que seria da vida se não fossem os poetas, os músicos, os artistas e os amores para nos lembrar, sempre, das nossas emoções? O que seria do mundo se não houvesse espaço para refletirmos e pensarmos quais nossos desejos e chances de realizá-los? O que seria de nós se fôssemos pura emoção e dispensássemos o uso da razão para entendermos nossas escolhas do passado, nosso momento presente e perspectivas de futuro? Então, estou falando de razão e emoção, esses conceitos que muitas vezes são analisados como se fossem antagônicos, mas que na verdade costumam funcionar de forma complementar, nos revelando sentimentos e também mostrando caminhos e possibilidades.

    Quando tomamos decisões nos deixando levar pelo calor das emoções, agimos por impulso e sendo assim, nos comprometemos com coisas que mais tarde podemos nos arrepender; dominados pelas emoções, nosso pensamento primeiro é o de fugir da dor e do sofrimento, nos livrar daquele incômodo angustiante da dúvida e voltar a sorrir. Na verdade, muitas vezes adiamos uma decisão que nos seja importante porque não damos conta do medo de sofrer ou porque valorizamos sonhos e momentos vividos e, como nos convém, nos agarramos à esperança de que tudo dessa vez possa ser diferente.

    DUELO INVISÍVEL

                    Como tudo na vida tem uma consequência, quando as emoções se acalmam, vem a razão nos mostrar o que não se quer ver, e a realidade descortina as consequências das escolhas feitas. Não dá mais para não pensar nos prós e contras! A partir daí, ocorre um duelo invisível entra a razão e a emoção e, como na canção do Zeca Baleiro, a gente reclama com o coração (que leva a culpa de tudo) – “Deixa, me deixa em paz, ó meu coração. Chega o que liberta é também prisão. Deixa, deixa assim, só e salvo são. Quem tanto bate um dia apanha, chega de manhã e não me assanha, doido, louco, maluco coração”.

    E, “como coração surdo não tem juízo, não houve nunca a voz da razão e razão você sabe, é preciso pra curar a sua loucura coração” que “bandido cansado de enganos, heróis de capa e espada na mão, esquece metas, retas e planos, veleja no mar escuro da ilusão”. Mas, apesar de metaforicamente ou poeticamente as pessoas justificarem as suas escolhas como se fossem obra de um coração descontrolado, que sente o que não devia sentir, porém tudo o que ocorre é sempre fruto de escolhas, nem sempre tão sensatas.

    COMPLEMENTARIEDADE

    A verdade é que tomamos decisões usando tanto a razão como a emoção e, embora as emoções normalmente se manifestem de forma mais rápida do que a razão, é necessário que, pelo menos nas decisões que sejam importantes em nossas vidas, exista um intervalo de tempo para que se possa respirar, suspirar, respirar novamente e tentar usar o bom senso e o pensamento crítico para analisar as principais circunstâncias envolvidas na situação. É muito válido tentar pensar se esse caminho, além de um coração, vai nos levar a viver delicadeza, harmonia e alegria.

    Simples assim? Claro que não! Especialmente quando se tratam de questões amorosas, pois essas decisões costumam ser muito difíceis, por isso, a maioria das pessoas só tem coragem de se separar se estiver apaixonada por outra pessoa ou se o seu sofrimento for muito grande; dificilmente alguém se separa porque não está feliz.

    Não tenha compromisso com o erro, toda vez que você perceber que fez escolhas erradas ou equivocadas em sua vida, refaça caminhos. Ouça seu coração, mas se conecte com todos os seus sentidos – ouça, veja, toque, respire e prove o que a vida lhe oferece – e lembre-se que nós somos o que nós pensamos. Sentir e refletir nos ajudam a ter uma vida repleta de emoções boas e de paz. É isso!

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