• AFINAL, QUEM MANDA?

     

    Em tempos de guarda compartilhada, onde os filhos dividem a sua permanência entre a casa da mãe e do pai, o que naturalmente acaba fazendo com que eles também convivam mais com avós e tios, tem havido uma série de dificuldades para eles entenderem que regras precisam seguir (já que cada casa tem regras específicas de funcionamento). E, como eles são espertos, a tendência é a de que tentem obedecer às regras que sejam mais convenientes para eles. Dessa forma, a frase “mas na casa do papai eu posso” ou “na casa da mamãe ela deixa” ou ainda “a vovó é mais legal, lá eu posso fazer um montão de coisas” está virando um bordão para eles.

    Mesmo com os pais morando na mesma casa, às vezes já era difícil manter uma uniformidade de condutas – a mãe colocava o filho de castigo e o pai tirava, o pai não deixava os filhos fazerem determinada coisa e, na ausência dele, a mãe permitia…, imagina com eles morando em casas diferentes? Além disso, especialmente se a separação do casal ocorreu em função de infidelidade, agressões ou conflitos severos, muitas vezes os filhos são envolvidos nesse embate e como consequência, tudo que puder servir de motivo para desqualificar o que acontece na vida e na casa do (a) ex é usado como instrumento de vingança.

    O que cessa com a separação é o papel de esposo e esposa, os papéis de pai e mãe permanecem, com todas as responsabilidades, deveres e obrigações que existiam durante o casamento. Os filhos são vínculos eternos e seria muito bom e adequado que os pais buscassem um entendimento com relação à educação deles, que não os usassem como instrumento de manobra e nem os fizessem passar por um conflito de lealdade (eles se sentem pressionados a tomar partido ou escolher um dos seus pais), pois isso prejudica o desenvolvimento dos filhos e rouba-lhes a paz, sejam eles crianças, adolescentes ou adultos.

    Então, de quem é a palavra final na educação dos filhos? É óbvio que é dos pais! E o ideal é que eles, casados ou não, entrem num acordo com relação às questões que considerem relevantes na educação dos filhos, o que normalmente passa pelo estabelecimento de valores e limites de conduta. E mesmo que eles pensem a vida de forma diferente é muito importante que saibam respeitar o que o ex-parceiro considera questões de princípio, isso evitará muitas brigas e vai poupar os filhos de sofrimentos e conflitos.

    Assim, quando os filhos falarem “na casa do papai eu posso fazer isso e aqui tu não deixas”, a mãe deve responder: “eu e o seu pai somos pessoas diferentes e temos jeitos diferentes de olhar a vida. Você precisa entender isso e respeitar as nossas diferenças. Eu não posso definir condutas de funcionamento para a casa do seu pai, lá, ele decide e determina como as coisas têm que ser, mas aqui em casa, decido eu”.  Tente não desqualificar as atitudes do outro genitor e, se for pertinente, diga que você acha aquela postura equivocada, mas sem agredir ninguém.

    E, com relação aos demais familiares que lhe ajudam a cuidar da prole, se algo  estiver lhe incomodando na forma com que eles lidam com seus filhos, enquanto estão sob os cuidados deles, o melhor caminho continua sendo conversar com eles: ouça-os e explique de forma clara e precisa o que lhe incomoda e como você gostaria que eles agissem; essa pode ser uma tarefa árdua, mas tente, pedir a ajuda e a compreensão deles pode funcionar. Tudo na vida passa por escolhas, negociações e respeito às diferenças.

     

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