• ABUSO SEXUAL VIRA TEMA DE NOVELA

     

    A novela Outro Lado do Paraíso deu visibilidade a um dos atos mais horrendos que um ser humano seja capaz de praticar contra uma criança, o abuso sexual. Na novela, o delegado Vinícius, após ser denunciado e levado a julgamento, confessa o abuso sexual praticado contra sua enteada Laura, na época com 8 anos, e também contra outras crianças; na trama, assim como muitas vezes acontece na vida real, Lorena, a mãe da criança, apaixonada que era pelo abusador, nunca percebeu nada – os machucados constantes da criança, o fato dela viver isolada e ser totalmente arredia ao padrasto – e nem acreditou quando ela já adulta  denuncia o padrasto.

    No Pará, em 2016 foram registrados 359 casos de violência sexual infantil; no Brasil, no mesmo ano, foram registrados 17.523 casos; em 2015\2016, o “disque 100”, recebeu mais de 37 mil casos de denúncia de violência sexual na faixa etária de 0 a 18 anos (67,69% das vítimas são meninas) e, com certeza, estes dados não correspondem à realidade, pois só uma pequena parcela dos crimes sexuais contra criança é denunciada, em razão do medo e da vergonha da família que fica tão chocada e não consegue lidar com o abuso.

    Saiba que a pedofilia é um transtorno de personalidade incurável, que leva um indivíduo adulto a se sentir sexualmente atraído por crianças e adolescentes pré-púberes. Os pedófilos se tornam abusadores sexuais quando põem em prática as suas fantasias sexuais e, como na maioria das vezes o abusador é alguém muito próximo da criança, ele se aproveita dos laços familiares (pode ser pai, padrasto, tio, primo) ou da vinculação social (por ser vizinho, professor, religioso, motorista) para molestar as crianças, e assim, protegidos pelo fato de serem consideradas pessoas acima de qualquer suspeita, por terem familiaridade e intimidade com a criança, sentem-se livres e acobertados para agir.

    É preciso que os pais estejam sempre muito vigilantes e atentos a estes comportamentos, pois eles podem ser indicadores de violência sexual: pesadelos constantes, queda no rendimento escolar, insegurança, recusa em ficar sozinha com uma determinada pessoa, excesso de limpeza ou falta de higiene, automutilação, isolamento social, comportamento agressivo, mudança repentina de humor, demonstrações de erotização, dores sem motivo, medos repentinos, depressão…

    Além disso, conversem com as crianças e oriente-as para que se alguém as mandar tirar a roupa, tentar tocar nos seus órgãos genitais, mostrar ou tentar encostar o pênis em qualquer parte do corpo delas devem gritar sair correndo, chamar por qualquer adulto e contar imediatamente para os pais o que aconteceu; também observem com quem eles conversam na internet, pois este tem sido um instrumento muito usado por abusadores e pedófilos.

    Precisamos proteger nossas crianças, pois as sequelas dos abusos sexuais costumam perdurar, tornando as vítimas de abuso adultos inseguros, ansiosos, culpados, deprimidos e com dificuldades de estabelecer relacionamentos amorosos saudáveis.

    Então, embora o fato do tema “abuso sexual” ser tratado em uma novela com altíssimos índices de audiência ser absolutamente importante e produtivo, o encaminhamento do processo que levou Laura a relembrar os fatos traumáticos foi totalmente inadequado, pois se deu através de sessões de coaching e hipnose, praticadas por uma advogada. Dada à gravidade do tema, o assunto precisa ser tratado por psicólogos, profissional com competência técnica para tal – notícias nas redes sociais já anteciparam que este erro vai ser corrigido e que Laura vai receber atendimento psicológico

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