• ABSURDAMENTE LASTIMÁVEL!

     

    Eu não sei se vocês viram, mas viralizou nas redes sociais a postagem de um grupo de estudantes de Medicina da Universidade de Vila Velha, no Espírito Santo, com as calças arreadas (eles estão vestidos com os jalecos e usam os estetoscópios pendurados no pescoço, para que não fique nenhuma dúvida quanto à profissão deles), fazendo gestos obscenos com as mãos, simulando uma genitália feminina e com hashtags “pintos nervosos”, “gorilas”. Eles sorriem, com certeza achando muito engraçado o que eles estão fazendo e postando. Concomitantemente, quatro garotas também aparecem de jaleco e com as calças arreadas, cobrindo parte do corpo com uma bandeira da Atlética de Medicina de Valença-RJ.

    Lastimável é pouco para designar uma atitude desta. As fotos são uma propaganda descabida de uma cultura de violência, de abuso e de estupro e, um desrespeito à medicina, as mulheres e a sociedade em geral. As reações vieram imediatamente: O Conselho Regional de Medicina do Espírito Santo emitiu uma nota repudiando a postura desses alunos e, como eles ainda não são médicos, não cabe nenhuma punição por lá, mas acionou a Universidade que já abriu sindicância para apurar os fatos. Se a intenção deles era “causar”, conseguiram, mas de uma forma muito negativa.

    Eu fico imaginando o que passa na cabeça desses jovens.  Difícil de acreditar que em um grupo de pelo menos oito pessoas (sete aparecem nas fotos e uma pessoa fotografou e, sabe-se lá se não havia plateia de outros colandos), que estão concluindo o Curso de Medicina, não houvesse pelo menos uma pessoa que não considerasse aquela foto uma falta de postura ética e profissional. Como concluintes de Medicina eles têm obrigação de saber que o juramento dos médicos é o de “Manter o mais alto respeito pela vida humana, desde sua concepção”.

    E vejam bem, o que para esses alunos parecia uma simples brincadeira, foi recebido pelos profissionais da área como uma afronta e um desrespeito ao exercício da medicina e chocou a opinião pública. A forma desrespeitosa como eles trataram às mulheres demonstra também uma ilusão de poder e onipotência por virem a exercer uma profissão tão valorizada no mercado de trabalho e, quanto às estudantes de Medicina de Viçosa, ao se deixarem fotografar com as calças arreadas, elas incentivam as atitudes sociais preconceituosas sobre gênero e sexualidade, reforçam a objetificação da mulher e referendam as atitudes machistas sobre a liberdade sexual, comportamentos que não devem ser aceitos por ninguém, independente de sexo.

    Vivemos uma profunda crise moral e ética no Brasil. Desconhecemos valores, desrespeitamos costumes, regras e convenções estabelecidas pela sociedade. Precisamos urgentemente nos comprometer com o exercício coletivo de pensar e refletir de forma ética; precisamos reaprender a agir dentro da moralidade. O exercício da cidadania passa, necessariamente, pelo respeito às diferenças, pelo funcionamento em que limites sejam estabelecidos e que o outro, não importa quem ele seja, balize nossos atos e seja referência de freio. Não podemos perder nossa capacidade de nos indignar pelo que consideremos imoral, desleal ou injusto.

    O que sobrou de bom dessa história absurda e inconsequente é que não só os médicos representados por suas entidades de classe e a nível pessoal se manifestaram, a sociedade civil também se posicionou e cobrou posturas e, isso indica que, aos poucos, estamos reaprendendo que o desrespeito dirigido a alguns (no caso aos médicos e as mulheres) é um mal que atinge a nós todos. Chega de omissão! Chega de condutas que incentivem o assédio, o abuso e o estupro!# Pelo respeito aos médicos# Pelo respeito às mulheres# Pelo respeito às diferenças#Pelo resgate da ética e da moralidade#

     

     

     

     

     

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