• A IMPORTÂNCIA DAS MEMÓRIAS FAMILIARES.

     

    Dentre as mudanças ocorridas no século XXI, uma das mais significativas tem sido a solidificação das novas formas de constituição familiar. Na modernidade, o conceito de família se amplia, comporta novos arranjos e passa a incluir como membros as pessoas unidas por laços de afeto e, assim, a consanguinidade deixa de ser o único referencial de parentesco. Independente da forma como os laços familiares são atados, as histórias que unem as pessoas e a força com que os legados e os mitos familiares vivem e são transmitidos através das gerações, identificam e definem os grupos familiares.

    Conhecer a história da nossa família de origem nos ajuda a entender quem somos e nos dá uma sensação de pertencimento. As influências percorrem as gerações e, como um legado familiar se repete como determinação ou influência nas gerações futuras; conteúdos, valores e habilidades se cruzam, se organizam e determinam as repetições familiares.

    Uma das formas de se conhecer as histórias familiares é pesquisando a escolha dos nomes. Você sabe a história do seu nome? Qual o significado dele? Quem o escolheu? Existe repetição deste nome na família? Então, para começar nossa pesquisa, é preciso que saibamos que a maioria dos nomes tem um significado, funcionando como um legado de um desejo inconsciente que cada um de nós recebe como se fosse um enigma de uma dívida traçando o nosso “destino”. Mesmo que nossos pais não tivessem conhecimento do significado do nosso nome quando o escolheram, dentre milhares de nomes existentes, aquele nome foi o escolhido para nos nomear.

    Outra maneira de descobrir de onde viemos e quem somos é construindo a árvore genealogia da família. Nós construímos a da nossa família Guimarães e descobrimos, por exemplo, de onde veio a imensa musicalidade da família (que, infelizmente, eu não herdei) – nossa avó Matilde tocava piano, bandolim, acordeom e violino, inclusive, no tempo do cinema mudo, ela tocava piano no Cine Olympia (cinema mais antigo em funcionamento no Brasil, inaugurado em 24.04.1912). A transgeracionalidade musical não só se faz presente de maneira muito marcante em nossa família como manifestação de alegria, mas também virou profissão de alguns de nós.

    Neste movimento de resgatarmos nossas origens, nós, da Confraria dos Guimarães, resolvemos nos reunir em uma expedição para Muaná, berço da família, e percorrermos os trajetos feitos por nossos pais. E com o coração em festa, fomos recebidos no trapiche da cidade pelo prefeito Murilo Guimarães (primo querido) com salva de fogos e banda de música. Nosso reconhecimento eterno a Muaná, que nos deu muito do que temos hoje: família, amor e música.

    “Rios de nomes e sobrenomes, guardam memórias ancestrais e muitas histórias a cantar Guimarães. Muaná de Narciso, Natair e Nadir. Pracuuba de Jõao e José. Inamaru de Teixeiras e Sequeiras. Atatá dos carneiros. Atuá de Ferreiras e Vieiras. Ave Avelino! Salve Quitéria! Benditos filhos, amém… (Ima Guimarães Vieira). O resgate de nossa história está sendo feito. E Muanando vivemos. Viva Muaná!

    PS: Ao percorrer nossas origens, passei a entender melhor as condutas do meu pai português, convivendo em outros rios que não eram o Tejo e da minha mãe que vivia no Rio  Inamaru e não conhecia o Rio Tejo. Estou também entendendo melhor o meu funcionamento. Já quero Muanar de novo!

     

     

     

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