• A DOR PASSA!

     

    Com uma frequência muito grande, recebo em meu consultório pessoas (principalmente mulheres) que declaram estar ou ser profundamente infelizes em seus casamentos ou namoros, mas que apesar da tristeza e da dor serem grandes, não conseguem colocar um ponto final nesses relacionamentos, se separar e seguir em frente. Elas se sentem desamadas e desvalorizadas pelos parceiros; a vida sexual deles é muito ruim ou inexistente;  a cumplicidade, o carinho e o apoio mútuo deixaram de existir há muito tempo; eles não partilham mais os acontecimentos positivos e nem as alegrias da vida e sentem que vivem a solidão a dois, mas, mesmo assim, permanecem presas a esses parceiros.

    Algumas dessas pessoas ainda têm esperança que tudo possa se ajeitar e que eles, enquanto casal, consigam resgatar a alegria, o tesão e a leveza de antes; outras, porém já chegaram à conclusão de que não existe a mínima chance de resgatar qualquer coisa de positivo entre eles, pois conviver juntos tornou-se insustentável. Quando o desrespeito, as brigas, as agressões mútuas e as humilhações tornaram-se rotineiras, a vida de toda a família vira um deserto de amor, alegria e paz. E os filhos são os que mais sofrem com isso, já que os pais continuam juntos por escolha própria enquanto que eles (se forem dependentes financeiramente dos pais) não têm outra opção, vão ter que continuar vivendo esse “ínferno”.

    RELAÇÃO FALIDA

    Numa relação amorosa o sexo prazeroso e a alegria em partilhar da companhia do parceiro fora da cama (há casais que se dão muito bem na cama, mas fora dela vivem em constantes brigas) costumam ser indicadores bem evidentes de uma relação saudável, assim como também sentir-se valorizado, cuidado e acolhido pelo outro e ter o desejo de fazer o mesmo por ele são fundamentais para que um casal seja feliz– assim como na música do Lulu Santos “Ela me faz tão bem, que eu também quero fazer isso por ela”. Se não houver felicidade na vida a dois, não vale a pena permanecer no relacionamento.

    Via de regra, o fim de um relacionamento mobiliza muita tristeza, insegurança e medo em pelo menos um dos membros do casal, normalmente em quem se sentiu rejeitado pelo outro ao ouvir “eu não te amo mais” ou “acabou, eu não quero mais permanecer nessa relação”. Porém, se você não foi surpreendida por uma paixão repentina na vida de seu parceiro, e há tempos percebe que a infelicidade se instalou na vida de vocês e que o desejo e o empenho de resgatá-lo não é recíproco, não faça um pacto com o desamor, transforme a tristeza em energia e empenhe-se na construção de uma nova vida para você.

    VIDA QUE SEGUE!

     Do mesmo modo que não é saudável arrastar por anos um relacionamento sem o mínimo carinho e emoção, também não é vantajoso ser intolerante e desistir de construir uma vida por coisas que talvez não sejam tão relevantes, porém fique muito atenta, pois, muitas vezes, o que parecem brigas por bobagens na verdade servem para esconder problemas importantes e que o casal está com dificuldade de ver. Para que a vida possa seguir seu curso, é necessário que vocês analisem juntos se ainda existe disponibilidade de ambos  continuarem investindo nesse relacionamento e se é produtivo vocês buscarem ajuda profissional.

    Sozinha ou com um parceiro não desista de construir uma vida boa para você. Decida ser feliz e ficar bem. E como a vida acontece no movimento, caminhe e enfrente seus medos, quem sabe você se surpreende com você, com suas reações, com a descoberta de uma vida de prazer, de delicadeza e alegria que acontecia logo ali, mas que você nem se lembrava mais de como era ou não acreditava que era possível recomeçar.

    Na vida a gente tem o que julga merecer. Seja ambiciosa e deseje muito amar, ser amada e viver felicidade.

     

     

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